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Saiba qual o papel da embriologia na reprodução assistida

Há quase 42 anos nascia, em Londres, Louise Brown, a primeira bebê de proveta do mundo.

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A partir daí, as técnicas de reprodução assistida evoluíram consideravelmente, possibilitando avanços significativos na área. Para a embriologista creditada pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) Cláudia Petersen, 50% da responsabilidade dos procedimentos realizados em clínicas de reprodução humana é deste profissional. “Eu costumo dizer que o nosso trabalho é muito importante e fundamental para área da reprodução humana. Nós trabalhamos com gametas e embriões e fazemos no laboratório o que seria feito dentro do corpo humano”, explica.


Dados do último registro da Rede Latino-Americanas de Reprodução Assistida (Redlara) apontam, por exemplo, que o número de embriões utilizados nos tratamentos de reprodução assistida tem diminuído ao longo dos anos. Isso mostra a crescente evolução da área, uma vez que, inicialmente, era frequente a transferência de mais de quatro embriões para o útero, o que aumentava as chances de gravidez múltipla. Agora, já é possível utilizar até dois embriões mantendo a eficiência nos resultados. “Trabalho no ramo há 30 anos e, ao longo desse tempo, os avanços tecnológicos têm possibilitado muitas mudanças na nossa área. As tecnologias que eu usava no início da minha carreira são muito diferentes das que usamos atualmente”, ressalta.


Graças ao desenvolvimento da embriologia, hoje é possível identificar as causas de possíveis anomalias e doenças genéticas, diminuindo os riscos durante a gestação, como também possibilitar que muitas mulheres realizem o sonho da maternidade por meio das técnicas de reprodução assistida. Segundo ela, algumas competências são essenciais para a área. “Apresentar habilidade manual é fundamental na realização de cada procedimento. Além disso, o profissional precisa de conhecimento, disciplina, paciência, dedicação, ética e muita segurança”, diz.


Mercado de trabalho – A bióloga afirma que o mercado de trabalho ainda é escasso e reserva poucas oportunidades para as mulheres. “Existem instituições que especializam um grande número de profissionais na área de embriologia clínica, mas o total de embriologistas trabalhando em clínicas de reprodução assistida espalhadas pelo país ainda é pequeno”, completa. 


Todavia, essa realidade nunca desestimulou a bióloga que, desde os 14 anos, assistia com entusiasmo às cesarianas realizadas pelo tio, que é ginecologista. “Eu sempre quis trabalhar com crianças, de alguma forma. No início, pensei na pediatria, mas depois achei que ia ser muito cansativo e que não me daria tanta realização profissional. Foi assim que entrei para a área da reprodução humana e escolhi a embriologia”, conta. 

Marcos históricos – Para a embriologista, as técnicas avançaram muito ao longo desses anos, trazendo inúmeros benefícios para a humanidade. Na avaliação dela, os principais marcos históricos do campo na área de reprodução assistida foram o surgimento da injeção intracitoplasmática do espermatozoide dentro do óvulo (ICSI) e o congelamento de óvulos e embriões por vitrificação.

“A injeção intracitoplasmática do espermatozoide dentro do óvulo foi revolucionária, principalmente para a classe masculina, uma vez que possibilitou que homens com raros espermatozoides, ou com gametas vivos porém imóveis, obtivessem a fertilização dos óvulos, com resultados bem satisfatórios nos tratamentos”, ressalta. 

Sobre o congelamento de óvulos e embriões por vitrificação, a especialista ressalta que essa técnica é igualmente renovadora, especialmente por tornar a rotina do laboratório de criopreservação mais rápida e com resultados  semelhantes (embriões clivados) ou mesmo superiores (óvulos/blastocistos) a uma técnica convencional. Hoje, nós congelamos os óvulos/embriões na temperatura de -196 °C em 1/3 do tempo anteriormente utilizado. 

A embriologista lembra que a técnica, além de mais rápida, ainda proporciona um resultado excelente ao processo. “Hoje, é possível formar um banco de óvulos no laboratório, onde congelamos os oócitos de pacientes com câncer e que desejam serem mães ou pais após o tratamento, assim como os óvulos de mulheres jovens que só pretendem engravidar no futuro e preferem conservar gametas saudáveis. Já podemos ver pacientes com 28 anos congelando seus óvulos graças ao processo de vitrificação”, diz.


Marcos históricos – Para Cláudia, com a crescente evolução tecnológica observada nos últimos anos, o trabalho dentro dos laboratórios muda constantemente. Essas inovações proporcionaram o desenvolvimento da cultura embrionária mais estendida, dentro do laboratório, possibilitando uma nova realidade para o trabalho dos embriologistas. A partir do aperfeiçoamento da técnica de edição de genes, por exemplo, novos avanços são esperados nos processos utilizados pelos embriologistas dentro dos laboratórios de reprodução assistida. 

“Nós já conseguimos identificar o DNA dos embriões sem precisar manuseá-los, através de uma amplificação específica deste DNA que é liberado no ambiente onde são cultivados (meio de cultura) durante o  seu processo de desenvolvimento no laboratório de embriologia. Dessa forma, conseguimos detectar as doenças genéticas da futura criança e transferir embriões saudáveis para as futuras mães”, afirma. 

Para ela, nos próximos anos, muitas técnicas ainda estão por vir e devem continuar revolucionando a área. “Em breve, vamos conseguir fazer análises genéticas cromossômicas e obter uma visão mais profunda do DNA dos embriões que nós manuseamos”, conclui.

 

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