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Novo padrão de incidência solar

Calma. A camada de ozônio continua esburacada.

Novo padrão de incidência solar
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Emissão de CO2 continua aumentando o efeito estufa. O verão continua fazendo com que os raios solares incidam perpendicularmente à superfície da Terra no Trópico de Capricórnio

Não me refiro a esse padrão de incidência solar, e é bom deixar claro porque senão lá vem um pessoalzinho organizar passeata protestando contra o “novo padrão de incidência solar”, conforme leram de um jornalista num site de notícias, embora o jornalista seja um mero cronista e o site seja um cantinho casual da internet.

O cronista, no caso, também é pai, e tem presenciado mudanças significativas que vem com a paternidade, como os cabelos brancos. Mas isso já tinham me alertado. 

O que ninguém nunca me avisou é sobre a mudança no padrão de incidência solar que vem com a paternidade.

Até então, como um solteiro sem filhos ficava na praia? Ele sentava na cadeira, na barraquinha, pedia alguns petiscos, conversava, talvez lia algum livro, mais petiscos; vez ou outra ele se levantava e dava um mergulho no mar; talvez pendesse para atividades mais esportivas: um frescobol? Uma corridinha? Talvez, mas logo ele voltava para sua posição sentada.

E como os raios de sol incidiam nesse corpo livre de prole? Eles queimavam o rosto, braços, ombros e a parte das costas que sobrava do espaldar da cadeira. Somente. Era quase desnecessário passar o filtro solar em outras partes do corpo. Passava-se, claro, por precaução, não por necessidade.

Eis que eu fui para a praia com uma bebê muito da animada, cujo único desejo era passar horas brincando na areia, deixando o baldinho e as pás apenas para se refrescar no rasinho, brincando com a onda quando ela chegava. 

Obviamente, o soldado destacado para a missão de acompanhar a filha em seu mundo rasteiro é sempre o pai. Abaixa aqui, senta na areia, brinca com a filha, livra ela de acidentes com o mar, da água no rosto, de esbarrões com garotos mais velhos.

Minha vida de praia sentado, conversando, no conforto de uma barraquinha, não existia mais, e eu não havia me dado conta disso.

E lá fiquei quase uma manhã inteirinha sentado na areia, abaixado, rastejando. O que não percebi é que, atrelado a isso, houve uma mudança significativa no padrão de incidência solar, já que agora eu estava exposto, sem a proteção do encosto da cadeira ou da sombra da barraca.

O sol castigou minhas costas com seus raios abrasivos. Costas, diga-se de passagem, protegidas por um protetor solar passado com descaso, sem empenho, sem reforço duas horas mais tarde (o empenho todo era para ombro, braços e rosto).

O resultado: fiquei queimado, extremamente queimado. Do dorso superior até a lombar. Minhas costas ardiam só de encostar. No dia seguinte fui obrigado a ir à praia de camisa, sem me atrever a tirá-la.

Alguns sugeriram que eu comprasse aquelas camisas com fator de proteção. Recusei. Acho que aquela camisa está para a praia como a pochete está para um passeio na rua – isto é, são equivalentes e vinculadas ao estereótipo do tiozão, que, por sinal, é também um pai de duas crianças pequenas.

Pensando bem, pelo menos o tiozão não fica com as costas toda queimada.

 Novo padrão de incidência solar

Rodrigo Bedritichuk é brasiliense, servidor público, pai de duas meninas e autor do livro de crônicas Não Ditos Populares

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